Pastora Betinha, assessora do Deputado Wasny de Roure
Os organizadores do lançamento do projeto: Você Pode Vencer as Drogas - Festival Blues Gospel Brasil tomaram emprestado o templo da Igreja Missões Internacionais, no Guará, na noite do último sábado, para realizar a solenidade. Esta lembrou o formato de audiência pública e esclareceu o objetivo dos organizadores do evento. A iniciativa visa, dentre outros, pelo menos três objetivos: fortalecer as casas de recuperação que trabalham com dependência química, reunir jovens por meio da bandeira do festival de blues gospe para dispor aos que precisam de tratamento de droga e fomentar políticas públicas destinadas às organizações que se dedicam ao tratamento de usuários crônicos de entorpecentes. Isso tudo confirmado em entrevista pela Pastora Leni King, responsável pela bandeira levantada e que sustenta sua fala com o projeto impresso à mão.
O evento contou com cerimonial e oradora, Rogerio Silva e Pastora Betinha, respectivamente. Para ouví-los e confirmarem os objetivos do projeto estiveram presentes ilustres representantes de todo o Distrito Federal: Gedilene Lustosa (Diretora da Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante), Stela Lamounier (ouvidora da Administração de Vicente Pires), José Jair (representante da Frente Parlamentar contra as drogas, da Câmara Legislativa, do Gúará), Sandra Estela (assessora na Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante), Alessandra Reis (líder comunitária no Valparaíso) além de outros líderes comunitários que encheram o recinto.
O responsável pelo cerimonial, Rogério Silva, destacou que inicialmente comitiva do projeto dirigiu-se ao gabinete do Deputado Wasny de Roure, liderada pela Pastora Leni King e solicitado apoio via emenda extra orçamentária ao parlamentar. A Pastora King confirmou ter Wasny lhe recebido e prometido, após analisar o projeto, a oficiar a Secretaria de Cultura acerca do empenho para, dentre outras despesas, viabilizar: encaminhamento de jovens escravizados pelas drogas, especialmente o crack, às casas de recuperação através de visitas de representantes do projeto às escolas públicas; custear a vinda de Gypsy Carns (detentor de dois Grammys) e sua equipe dos Estados Unidos para o Brasil, a fim de fechar a primeira etapa do projeto em julho com concentração artística para resgate de jovens viciados; publicar dvd de todas as etapas com intuito de ter condições de auto-sustentação de seu projeto que, segundo a Sra. King, tem caráter Permanente. A preocupação dessa senhora de 70 anos é ter iniciado seu projeto a partir dessa parceria com o poder público e perceber ser muito lento o processo de concretização. Sua caminhada é realmente dura, pois, a Senhora King caminha com dificuldade e se desdobra para conseguir parcerias privadas para dar conta do recado.
A oradora do evento, Pastora Betinha, prosseguiu a cerimônia agradecendo a atitude de Wasny, que representa os evangélicos na Câmara, destacando no início de seu discurso sua própria experiência ao enfrentar o preconceito contra a mulher na Capital do país. Pois, quando se tornou a primeira mulher pastora no Distrito Federal teve que vencer essa batalha. Enfatizou em seguida a luta pelos direitos civis do Pastor Martin Luther King nos Estados Unidos. O link para o projeto, segundo Betinha, é que a comunidade evangélica deve seguir o exemplo do Dr. King e participar mais da vida social comunitária, tal qual está fazendo a responsável pelo projeto, a Senhora King e sua equipe. Vale a pena destacar o fato de Betinha ser uma das poucas referencias evangélicas da esquerda brasileira e essa realidade reflete no bem eladorado discurso que pronunciou.
Na programação havia espaço para o que foi convencionado de Cocktail Gospel, custeado pelos organizadores. Pois, na confraternização de salgadinhos e refrigerantes não cabia servir bebidas alcoólicas. E posso finalizar destacando, portanto, pelo menos três contribuições sociais de grande valor de todo o discurso da noite de sábado, 10 de julho. A primeira: comunidade organizada por diversos líderes sociais pode e deve levantar bandeiras como essa contra as drogas, valendo-se de dispositivos ao alcance dos parlamentares. A segunda é que deputados que dependem da criatividade comunitária iguais a essa para destinarem pequenas parcelas de emendas orçamentárias (R$30mil), tem no projeto da Pastora Leni King louvável destinação. A última é que não se pode esquecer mesmo, utilizando-se outra vez do exemplo da Senhora King, do setor privado nas parcerias imprescindíveis para combater esse mal do século: o crack. Este é o tripé ideal para se vencer qualquer praga social: a iniciativa pública, a privada e a representação comunitária.
Magu Cartabranca
Jornalista
